Toda professora que já organizou uma aula sobre diversidade cultural conhece o problema: sobra Chapeuzinho Vermelho e Branca de Neve, falta o resto do mundo. Os contos populares da tradição oral do mundo, aqueles que atravessaram séculos sendo contados de geração em geração antes de virar livro, são um dos materiais mais ricos para trabalhar identidade, cultura e alteridade em sala de aula. E são também um dos mais difíceis de encontrar fora do repertório europeu de sempre.

A BNCC trata os contos populares e as lendas como gênero central para o desenvolvimento de habilidades de leitura, escrita e formação de repertório cultural, exatamente por carregarem os valores, crenças e modos de vida de um povo. Uma turma que compara uma fábula africana com um conto chinês e um mito celta não está só ouvindo histórias bonitas. Está construindo, na prática, a noção de que existem várias formas de contar o mundo.

A Coleção Contos Mágicos, da Editora Aquariana

É exatamente essa proposta que sustenta a Coleção Contos Mágicos, publicada pela Aquariana, um dos selos do Grupo Editorial Ground. Cada volume resgata contos tradicionais de um povo específico, com tradução cuidadosa e ilustração fiel ao imaginário de origem, sem adaptações que suavizem ou infantilizem demais a narrativa original. Separamos cinco títulos da coleção que, juntos, cobrem cinco tradições culturais diferentes e formam um bom ponto de partida para qualquer planejamento de aula sobre diversidade.

Irlanda: As Maçãs Douradas do Lago Erne

Contos célticos reunidos a partir da tradição oral irlandesa, num universo de lagos encantados, heróis e criaturas que antecedem em séculos qualquer fantasia contemporânea inspirada no mesmo folclore. Bom ponto de entrada para discutir de onde vêm, historicamente, tantas histórias de fadas e reinos mágicos que as crianças já conhecem por outros caminhos.

China: A Filha do Rei Dragão e Outros Contos

Uma seleção de contos chineses que revela o cotidiano de uma China remota: o valor dado à educação formal, os papéis de homens e mulheres, ao lado de bruxas, espíritos e histórias de amor sobrenaturais. Serve tanto para o estudo de folclore quanto para uma conversa sobre como os costumes de uma sociedade aparecem, mesmo sem intenção, dentro das histórias que ela conta para as crianças.

África: O Silêncio dos Macacos e Outros Contos Africanos

Narrativas do continente africano que trazem animais, esperteza e sabedoria popular como protagonistas, no formato de conto que atravessa gerações por tradição oral antes de chegar ao papel. Um contraponto direto ao repertório europeu que costuma dominar as prateleiras de literatura infantil nas escolas brasileiras.

Brasil: O Príncipe Teiú e Outros Contos Brasileiros

Contos brasileiros que dialogam com o folclore nacional, aquele universo de Saci, Curupira e afins que os Parâmetros Curriculares já reconhecem como parte da construção da identidade cultural do país. Um título natural para fechar a comparação entre culturas trazendo a criança de volta para casa.

Fábulas africanas: O Jabuti e a Sabedoria do Mundo

Um segundo volume de tradição africana, desta vez no formato de fábula, com a esperteza do jabuti como fio condutor. Funciona bem em conjunto com O Silêncio dos Macacos para mostrar que um mesmo continente guarda tradições narrativas distintas, e não uma cultura única e homogênea.

Três formas simples de usar esses contos em sala de aula

Não é preciso um projeto pedagógico elaborado para começar. Três formatos costumam funcionar bem mesmo com pouco tempo de preparo:

  • Roda de contação comparada. Ler um conto de cada volume ao longo de algumas semanas e, ao final, reunir a turma para comparar o que se repete entre as culturas (um herói que engana o mais forte, um animal esperto, uma jornada) e o que muda.
  • Mapa cultural da turma. Marcar num mapa-múndi de onde vem cada conto lido, criando um registro visual acumulado ao longo do bimestre.
  • Reescrita com o próprio repertório. Depois de ouvir os contos de fora, propor que cada aluno escreva ou conte, com suas palavras, uma história que ouviu em casa, valorizando também a tradição oral da própria família.

A Coleção Contos Mágicos tem ainda outros volumes, com contos de Portugal e da Pérsia, para quem quiser ampliar o mapa cultural da turma além dos cinco continentes já cobertos aqui. Vale a pena explorar o catálogo completo de literatura juvenil da Ground para montar a seleção que melhor se encaixa no seu planejamento.

Grupo Editorial Ground · Ground, Aquariana, DeLeitura