Uma criança que chora sem motivo aparente. Um adolescente que fecha a porta do quarto e passa a responder só com "tá tudo bem!". Um filho que, na hora do jantar, esvazia o prato de palavras. São cenas comuns, e é fácil deixar passar. Mas às vezes é ali, no silêncio pequeno do dia a dia, que o pedido de atenção está escondido.
Em março de 2026, o IBGE divulgou os resultados da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar, o maior levantamento já feito sobre a saúde de adolescentes brasileiros. Quase três em cada dez estudantes de 13 a 17 anos disseram sentir tristeza frequente. Mais de um quarto relatou sentir que ninguém se importa com eles.
Estes números descrevem crianças e adolescentes apenas esperando que alguém pergunte como estão e que realmente esteja interessado em escutar a resposta, sem julgamento.
A boa notícia é que proteção emocional é algo que se constrói desde cedo e vai evoiundo com o tempo, e melhor ainda: é feita de pequenos atos. Ela surge nos gestos pequenos e repetidos da infância: no colo oferecido sem pressa, na história contada antes de dormir, na pergunta "como foi seu dia" feita com atenção de verdade.
Dois recursos simples ajudam a construir esse vínculo todos os dias: o toque e a história.
O toque como idioma da segurança
Antes de aprender a falar, a criança já aprendeu a entender o idioma do toque. É pelo colo, pelo cafuné, pela mão dada e pelo abraço que ela entende, desde muito cedo, se o mundo é um lugar seguro ou não.
O Do-In, técnica chinesa de automassagem com séculos de tradição, tem uma versão pensada especificamente para o corpo infantil, mais sensível e receptivo ao toque do que o adulto. Do-In para Crianças, de Juracy Cançado, reúne técnicas de massagem pediátrica chinesa voltadas a pais, professores, orientadores e terapeutas.
O lviro ajuda a transformar alguns minutos de toque consciente em rotina, um ritual que a criança passa a associar a cuidado e presença. Uma massagem nos pés antes de dormir, um carinho nas costas depois de um dia difícil na escola. Pequenos gestos, repetidos, viram memória de segurança.
A história como espelho seguro
Está mais que comprovado que casa que tem livro e pais que lêem para os filhos desde cedo, ajudam a formar novos leitores, ao mesmo tempo em que se mostram presentes na vida das crianças e adolescentes. Leitura, afinal, é carinho direto na alma.
A gente sabe que, às vezes, simplesmente perguntar "por que você está triste" não garante uma boa resposta. Em parte porque a criança ou adolescente pode nem saber como colocar em palavras o que está sentindo. É aqui que a história pode funcionar melhor e até estimular aquele diálogo que parece travado.
Contos para Curar e Crescer, de Michel Dufour, reúne alegorias terapêuticas que tratam de temas como medo, luto, autoestima e adaptação, sempre através de personagens e situações fictícias.
Quando a criança se identifica com o personagem da história, ela processa o próprio sentimento por um caminho indireto, sem a exposição de falar sobre si mesma. É assim que ela aprende, aos poucos, a nomear o que sente e a confiar que aquilo tem solução.
O que fazer no dia a dia
Toque e história não substituem acompanhamento profissional quando o sofrimento é maior do que a rotina consegue segurar. Mas ajudam a criar, todos os dias, um ambiente em que a criança sente que pode falar. Alguns hábitos concretos ajudam:
- Reserve um momento fixo do dia, sem celular, para ouvir o que a criança quer contar, mesmo que pareça banal.
- Note mudanças de comportamento: sono, apetite, vontade de ir à escola. Mudanças bruscas merecem atenção, não repreensão.
- Use histórias, livros e brincadeiras para abrir conversas difíceis, em vez de perguntas diretas demais.
- Use o toque: abraço, colo, cafuné. O corpo da criança entende cuidado antes de a mente compreender a palavra.
- Não minimize. "Isso não é nada" fecha a porta que você está tentando abrir.
Um lembrete para quem cuida
Cuidar da saúde emocional tem menos a ver com perfeição, e mais com presença pura e simples. E presença é feita de coisas pequenas: uma massagem antes de dormir, uma história bem escolhida, uma pergunta feita com tempo de sobra para ouvir a resposta. E, claro, conte sempre com o apoio do pediatra, do psicólogo infantil e de terapeutas especialistas em crianças e adolescentes.
O Grupo Ground trabalha há 50 anos com livros que ajudam pais, professores e terapeutas a cuidar melhor de quem está crescendo. Clique abaixo para saber mais.
Contos para curar - Michel Dufour


